Um Possível Excesso Não Invalida O Princípio Que Levou Ao Ato

Rafael C. Libardi
Rafael C. Libardi

Eduardo Bolsonaro errou ao chamar Rodrigo Constantino de esquerdista caviar, assim como errou ao chamar Alexandre Borges de socialista fabiano. O erro, contudo, é de mera linguagem, já que ambos, Constantino e Borges, não são nada disso; são apenas sujeitos que se apresentam como megafones de uma direita idílica e pomposa ao mesmo tempo em que alternam entre atitudes controversas e eventos do beautiful people.

Constantino é o liberalzinho que deprecia a maior cabeça da direita nacional e depois vem a público para falar candidamente em união. É o sujeito das privatizações e do Estado enxuto que delicia-se com o partido cujos maiores doadores de campanha são a nata do sistema bancário nacional, os mesmos que também despejaram dinheiro nas eleições de Lula e Dilma.

Borges é o conservinha que exige dos leitores o direitismo no trabalho e depois chefia campanha de marketing para a maior ONG de esquerda do país. É o sujeito dos valores e da cultura ocidental que vai a festinhas bacanas e posa sorridente em fotos com o político que tem ojeriza às armas e que grava videozinho cuti-cuti com a velha raposa do Palácio dos Bandeirantes.

E Eduardo? Bem, Eduardo é o homem que não pode defender o pai e os seguidores de um ataque covarde e desonesto. É o homem que não pode cobrar coerência e posicionamento dos auto-proclamados jurisconsultos da direita. “Ah, mas olha o jeito que ele faz isso…”. Não importa. Como diriam os latinos, abusus non tollit usum, isto é, um possível excesso não invalida o princípio que levou ao ato. E o princípio é bom: marcar a linha que nos divide dos espertalhões e dos molengas.

Chega desse “não me rele não me toque” da direita circense. Roupa suja é que se lava em casa, não o futuro do país.

Fonte: Rafael C. Libardi