Quantas vezes vocês viram o Prof. Olavo falando “Por mil caralhos! Sou mais direitista do que o Reagan!”?

O que mais vejo na ágora direitista é gente falando em união. “Não se briga em família!”, dizem uns. “Concentrem-se nos inimigos!”, bradam outros. Eu leio tudo e fico pensando: “Só eu aqui não pertenço à dinastia dos Andreazza Borges Constantino?”. É aí que saio da praça e vou banhar-me nas águas puras, como diria Manuel Bandeira. Águas puras, obviamente, são as lições de Eric Voegelin e Plinio Correa de Oliveira, dois dos maiores conservadores (com lastro) que este mundo já viu.

Antes disso, dou uma paradinha no dicionário e peço um pouco do significado de “união”. O garçom traz o número 3, isto é, “conformidade de esforços e pensamentos”. Então confirmo que, de fato, não tenho o sangue azul dos libero-conservinhas, porque nossos esforços e pensamentos coincidem mais em palavras do que em atitudes.

“A luta contra a Revolução só se desenvolve convenientemente ligando entre si pessoas radical e inteiramente isentas do vírus desta”, diz Dr. Plinio. E ele está certo. Não dá sequer para pensar em um movimento harmônico e enérgico se você convoca soldados que mantém briguinhas de ego com os combatentes mais fortes; que gostam de perambular entre as linhas inimigas; que não entendem o verdadeiro sentido da batalha. Você fatalmente organizará um batalhão que mais se parece com um queijo suíço do que com um destacamento íntegro. Ou melhor: terá conquistado algo semelhante ao Partido Republicano, que facilita em tudo o trabalho dos DEMOcratas.

Assim, não faz sentido algum falar em união com quem ainda não passou por uma “transformação cabal, uma cristalização de todas as tendências boas, uma atitude de firmeza inabalável”. Realmente. Pedir “desculpas táticas” ao Prof. Olavo não é uma transformação cabal. Atacar a reputação do Jair Bolsonaro não é uma cristalização de tendências boas. Tietar globalistas e desarmamentistas não é uma atitude de firmeza inabalável. Daí porque ou você confia nos seus homens ou o inimigo confia na sua derrota. Não há uma segunda opção.

Talvez por isso seja prudente deixar no passado aquela história de Cold War; de Guerra nas Estrelas; de Comunismo versus Liberalismo, já que “a verdadeira linha divisória da crise contemporânea não é entre liberais e totalitários”, como nos ensina Voegelin, “mas, de um lado, entre religiosos e transcendentalistas filosóficos, e, de outro, entre liberais e imanentistas totalitários“. Logo, você pode desejar que Marx esteja queimando no inferno; pode ajoelhar todos os dias na Igreja da Sé; pode ter Beethoven e Chopin no Ipod; pode adorar a arquitetura clássica; pode ser mais capitalista do que o Tio Patinhas e, ainda assim, nada disso fará de você um inimigo da Revolução, aqui entendida como a força maligna que pretende arrancar Deus das almas humanas para enxertá-las com as maravilhas do Mundo Novo.

Quantas vezes vocês viram Dom Bertrand batendo no peito como King Kong e berrando “Sou de direita, sou de direita!”?

Quantas vezes vocês viram o Prof. Olavo falando “Por mil caralhos! Sou mais direitista do que o Reagan!”?

Só é contra-revolucionário aquele que renuncia completa e irrevogavelmente a qualquer resquício do espírito da Revolução, ou seja, aquele que não se deixa levar pelo discurso sedutor da liberté, égalité, fraternité.

Só é transcendentalista o sujeito que acredita em “uma ordem moral duradoura no universo, uma natureza humana constante e sublimes deveres para com a ordem espiritual”, e não aquele que “imagina que a ordem temporal é a única ordem, que as necessidades materiais são as únicas necessidades”.

Isso quer dizer que não adianta vestir o lastro e a estirpe; escrever textões; falar com dedos em riste; lançar livros e mais livros; participar de inúmeros debates em prol da “direita” se você não tem o básico: coerência, honestidade, independência e, sobretudo, compromisso intransigente com os leitores, com a Igreja, com o país, com a verdade e com o Bem. Para ser clichê, não dá para servir a dois senhores; não dá para pisar em duas canoas.

É preciso, antes de tudo, seguir o conselho de Chesterton: Do not be so open minded that your brains fall out – Não seja tão mente aberta que seu cérebro caia para fora. É preciso saber que o capacete do cruzado não entra em cabeça liberal.

Pelo menos para mim, este é um texto definitivo.


Do Clube dos Libero-Conservinhas, Alexandre Borges é o menos pior. Ele não tenta destruir a reputação das melhores pessoas que temos nem é falso, cínico e desonesto. O problema é que dá munição e prestígio ao inimigo em troca de glamour, credibilidade e leitores. Na minha opinião, comercializa a própria “ideologia”.

Autor: Rafael C. Libardi