Privatizações: “o impedimento está no âmbito ideológico.”

Melquisedeque Ribeiro

Em nossa atualidade, o medo das privatizações já deveriam ter findado. É tão límpida a percepção acerca dos benefícios oriundos das privatizações, mas o impedimento está no âmbito ideológico.

Com efeito, como diria Aristóteles, a virtude está no meio-termo, isto é, algo possível no meio dos extremos. Torna-se, de certo modo, risível a falta de coerência e identificação da realidade, que determinados discursos não se enquadram na realidade, pois estão imbuídos de ideologias.

Ora, não há como negar que o “estado” não consegue gerir todas “suas” empresas, gerar riquezas, vez essa que não haverá verificação criteriosa do empreendedor, tais como: fiscalização do serviço, dos funcionários; do estoque; da qualidade, receitas e caminhos do capital. De fato, as estatais se perdem em meio aos desvios de dinheiro, dos impostos do contribuinte, como cabide de empregos de políticos, em suas indicações espúrias. O problema, talvez, não está na própria estatal, mas na natureza humana falível, que não depende de controles.

No Brasil, de fato, não existe o liberalismo econômico como acusam. Há uma estreita e promíscua relação entre os empresários e a máquina estatal, que precisam cortejar o poder para sobreviver, ante massiva e gigantesca burocracia, altos impostos, para sustentar privilégios dos poderes e daqueles que só querem direitos. E, é claro, não podemos esquecer dos empresários que querem ser amigos do “estado”, para evitar concorrência. E políticos que dificultam o empreendedorismo para oferecer facilidade e privilégio como barganha.

Ou, também, de discursos teoréticos que não se confirmam na prática pelas mesmas pessoas que proferiram. É natural acompanhar políticos e ideólogos que defendem estatais, para os outros, mas usufruindo perfeitamente das benesses privadas. Buscam nos melhores restaurantes, bares, lojas, hospitais e escolas particulares para si e seus filhos, mas, para o público, defende a estatização de tudo. Pois sabem das deficiências causadas pelas empresas públicas. Há, com efeito, a problemática das privatizações imprudentes, feitas de qualquer modo, sem pensar em consequências além do mundo teorético, como sucumbe muitos liberais. Como questões, por exemplo, de Segurança Nacional – evitando George Soros – políticas externas e internas, assim como os mais pobres, tomando medidas alternativas para o momento transitório.

Algumas objeções feitas contra empresas privadas, no exemplo da tragédia da Empresa Samarco, Vale, que muitos socialistas acusaram de capitalismo predatório, por essa razão deveria ser estatizada – perceba o absurdo. Não conseguem vislumbrar que se tal problema tivesse ocorrido por empresa estatal, o contribuinte pagaria duas vezes, uma para manter a empresa; outra, para pagar o prejuízo. Enquanto isso, a empresa privada terá que pagar por suas ações, não o contribuinte. Ou, a objeção que o pobre será prejudicado, esquecendo, novamente, das leis do mercado, haverá aumento no investimento, sendo ainda possível o financiamento, como exemplo do próprio FIES ou PROUNI.

A discussão é longa, que será feita alhures. Cabe apenas tentar averiguar o problema além das ideologias jogadas no tabuleiro social, do que a sociedade necessita e o do que traz resultados reais. Claro, com a devida prudência exigida pelas circunstâncias.

Fonte/Autor: Melquisedeque Ribeiro

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