A política da prudência – Russell Kirk

Nós, conservadores, por vezes encontramos dificuldades de encontrar obras que dissertem sobre o conservadorismo. Isso não é uma exclusividade do Brasil. Mas qual seria a razão disso?

Diferentemente das ideologias de esquerda, nós não temos um “livro sagrado”, norteador de outros livros, como eles tem o “Das Kapital”.

O conservadorismo não é uma ideologia, mas sim a negação à elas. Conservadores sabem que devemos mudar periodicamente, de acordo com as novas realidades, sejam elas impostas pela economia ou por outros fatores. Não mudamos por experimentos, mas sim por necessidade.

Contudo temos uma série de escritores, pensadores e filósofos que nos brindam com publicações onde são expostos fragmentos daquilo que acreditamos, e pensei em estrear essa coluna com o maior conservador americano do século XX: Russell Kirk e sua melhor obra lançada no Brasil, A Política Da Prudência.

Ensaísta, romancista, historiador e dono de uma alma gentil, Kirk tornou-se referencia entre os conservadores Norte-Americanos a ponto de tornar-se conselheiro do presidente Reagan. Conviveu com T. S. Eliot por um curto período, e foi o autor de biografia mais completa do editor e poeta britânico. Tinha como referencia nada menos que Edmund Burke, o irlandês que se tornou o pai do conservadorismo moderno.

Em sua obra “A política da prudência”, Kirk tomou o cuidado em manter sua pena leve, com textos de fácil compreensão, para que todos pudessem entender cada linha de pensamento apresentados no livro.

“Já no capítulo inicial, Os erros da ideologia”, o autor, de forma sucinta, apresenta os equívocos que as ideologias pregam, e os resultados que tiveram suas praticas. Ao tentarem, por força das leis, transformarem o mundo em um paraíso, acabaram por abrir as portas do inferno.

Kirk também faz uma avaliação imparcial e criteriosa sobre os libertários, expondo seus maiores vícios e apresentando os fatos que os separam dos verdadeiros liberais, deixando claro que o libertarianismo, ao contrário do que pregam, é um segmento do anarquismo e não do liberalismo clássico.

A obra também trata do tamanho do estado, sugerindo até onde ele pode ir, e como identificamos uma invasão do leviatã em nossa vida privada. A educação estatal, que tem um capítulo inteiro no livro, é questionada diante dos resultados que Kirk já percebia em seu tempo.

A leitura dessa obra, sobretudo nos dias atuais que vivemos no Brasil, nos mostram a urgência de uma reação ao avanço das doutrinas chamadas progressistas, que são aquelas que usam a sociedade e os indivíduos como cobaias em seus experimentos de engenharia social. Não precisamos ser prolixos para alertar as pessoas dos riscos das praticas progressistas, pois a história do século XX já o faz isso por nós. Do nacional socialismo alemão (Nazismo) até a utopia comunista de Lênin e Stalin, passando pela revolução de Mao na China, mais de cem milhões de vidas foram ceifadas, e boa parte delas pela pior arma que poderia ser usada: A fome.

O estudo de A Política da Prudência, além de prazerosos, é necessário a todos que buscam as justificativas à defesa do conservadorismo, pois ao final de sua leitura entendemos que a defesa do conservadorismo é a defesa de nossa cultura e nossos valores, e a defesa destes é a defesa da vida.

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